Um dia passei por ti, os nossos olhares cruzaram-se assim como as nossas vidas tempos depois. Nem sempre soube que não eras um mero passageiro, desde a primeira vez que me tocaste, que me olhaste nos olhos e que ouvi a tua voz, algo foi ficando cada vez mais forte e maior, tal como nós.

Ainda hoje te observo, cada vez de um modo diferente. Agora tenho quase a certeza do que és e foste. Sou obrigada a observar-te silenciosamente, de mãos atadas e pés descalços. Enquanto te observo, a cada dia que passa, penso o quão seria bom poder dizer-te o que sinto sem receios. Estou sempre a espreitar pelo buraco da fechadura, embora me tenham ensinado que isso não é o melhor comportamento, arrisco. Vejo-te muitas vezes desesperar por respostas que tardam sempre em surgir ou mesmo nunca chegam ao teu destino, desejava conseguir dar-te todas elas num murmúrio apenas. És aquele, talvez não o estudo final dele mas sim um esboço, aquele que se assemelha ao que é desenhado unicamente para mim e eu para ele. E neste segredo vou vivendo, como uma sombra que se move com o passar do tempo. Saboreio o teu olhar, e com ternura e esperança desejo que ele olhe para mim e que repare que sempre estive ali. Sei que se um dia te disser, a tal palavra tão sagrada, não seria a primeira vez sem destino e sem morada. Dou comigo a sonhar, a dormir e acordada, sei bem que não passa de uma película de filme daqueles impossíveis, em que as estrelas principais da Hollywood sou eu e tu. E guardo esta pequena dor, de te ter só para mim, encenando como actor, o que gostavas de mim. Vou voando assim, ao sabor do vento, vendo-te ser feliz e em alguns contratempos. Já sei que ocupei um lugar ai dentro, mas agora sabe quem, quem te mata por dentro. E como o Rui Veloso me disse hoje numa conversa só nossa:
A tua pequena dor
Quase nem se quer te dói
É só um ligeiro ardor
Que não mata mas que mói
É uma dor pequenina
Quase como se não fosse
É como a tangerina
Tem um sumo agridoce
De onde vem essa dor?
Se a causa não se vê?
Se não é por desamor, então é uma dor de que?
Não exponhas essa dor
É preciosa é só tua
Não a mostres, tem pudor
É o lado oculto da lua
Não é vicio nem costume
Deve ser inquietação
Não há nada que a arrume
Dentro do teu coração
Talvez seja a dor de ser
Só a sente quem a tem
Ou será a dor de ver
A dor de ir mais além?
Certo é ser a dor de quem
não se da por satisfeito
Não a mates guarda-a bem
Gradada no fundo do peito

2 comentários:
Às vezes é bom sonhar dessa maneira, apesar de por vezes essa pessoa, personagem ou figurante não passe de um fotograma apenas, ou apns duma fita guardada numa caixa.So quero ver esse sorriso, e n vir a felicidade, faz como eu, tenta viver.
gosto mt d ti claudinha @@@ tu sbs bem
Tens os selos que te dediquei po blog do post do dia 8/4/2008...
Sabes que mereces @@
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