quinta-feira, maio 22, 2008

Talvez amanhã


Desta vez saboreei o caminho que de mês a mês faço ou até de semanas a semanas, uma leve distância, que não me impede de deixar fluir todo o sentimento que há em mim.
Algo em mim, e que desconheço, me diz para mudar de passeio, de rua e ate de travessia. Com as réstias de sol que me clareiam, fico com uma tez dourada e algo alaranjada daquele por do sol tão destinado. Não estou a bambolear como quem vem vencida de uma guerra que sempre que a acha findada, recomeça. Desta vez não.
Venho com esperança, talvez os raios do sol me tenham ajudado, na verdade não sei verdadeiramente quem sou. Sinto-me incógnita comigo mesma, como outrora enquanto olhava para o espelho e desejava que a imagem reflectida nele fosse uma criatura melhor e sem tudo aquilo que repugno num individuo. Assim me sinto, e assim poderia mentir dizendo que estou feliz e conformada com o trilho por onde caminho. Não estou é certo. Mas comigo trago a esperança que já se ausentara a muito tempo de mim.
Quem sou eu? Quem sou eu que me sento no chão do meu quarto, apenas com uma réstia de esperança em mim? Agora revejo palavras, fotografias, gestos, presentes, objectos, cores, cheiros e sabores. Revejo com saudade, mas saudade feliz por ter acontecido tantos momentos como os que já quis esquecer. Por longos ápices viajo por entre ponteiros, números, datas, dias, sítios e pessoas. Tento perceber quem fui para conseguir saber quem sou hoje.
Na verdade sou moldada pelos tempos e pelas pessoas que me esculpem á medida que vou passando por elas e elas por mim. Continuo fora de casa, fora do meu corpo e fora de mim. Continuo, e sei como é grande a minha vontade em permanecer naquele singelo tempo em que tudo era simples como uma boneca de trapos e panelas de plástico com que entretida ficava horas a fio. Uma doce inconsciência que jamais voltará, mas não choro por isso, não choro hoje. Hoje relembro com um sorriso momentos que não só de inconsciência, mas também já de alguma profundidade ocorreram em mim e apenas para mim. Agora sei que tenho que voltar a casa, ao meu corpo e a mim.
E amanhã? Talvez amanhã saberei quem sou.

3 comentários:

Anónimo disse...

Que te possas encontrar, e amanha possas saber quem es e para onde vais...Aki sempre @ beijo

AxOr!aNo disse...

Somos moldados pelas maos do tempo, e moldamo-nos pelas maos das personagens que pelo palco da nossa vida passaram.
Gostei da forma como encaras o caminho que vezes sem conta percorres, caminho que te fez levantar não só para mais uma caminhada , mas para um renascer espiritual =)
Boa forma de encarar o passado^^ concordo sendo que o proprio passado é algo que nao possuimos apenas podemos e devemos relembrar com carinho =) .
bj

principuska disse...

Uau... poderia dizer mil e uma coisa...mas apenas vou deixar um adorei...

**Principuska**