Hoje parti. Parti sem destino ou direcção. Não me despedi de ninguém, não gosto de despedidas. Aliás, as despedidas são o braço direito de uma perda. O meu corpo de mulher foi consumido pela dor e pela angústia, em minutos senti nos dedos das minhas mãos um formigueiro inigualável e persistente como se nada o pudesse estagnar. Hoje a minha tez pálida, o meu olhar gélido e enxaguado faziam parte de um rosto que já fora tão rosado e mimado como o de uma boneca de porcelana. Hoje esbocei o meu último sorriso e dei de presente o meu último olhar azul sobre o mundo. Pela última vez senti a brisa do entardecer tocar-me nos cabelos e o sussurro quente de quem me espera para além de tudo. Deitada no chão imóvel, de punhos fechados, cerca-me o silêncio aterrador. Todo o interior de mim é também ele de um silêncio tal, o ruído habitual de quem o habitava já não bate mais, o tum-tum constante agora resume-se á melodia agoniante do silêncio. Joelhos esfolados, cansados de me ajoelhar em vida. Ajoelhar perante um Deus que troça, perante uma esperança que não é certa mas essencialmente por um cair sucessivo. Não consegui lutar mais desta vez. A minha essência humana não me permite. Não consigo dar nem mais um passo em direcção àquilo que eu realmente queria atingir, mesmo cansada. Sei que agora não passo de matéria.
Não desisti… apenas fui vencida…
terça-feira, abril 22, 2008
Hoje
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2 comentários:
Quem disse? Pega na minha mao e vamos ver de perto o Mundo..
Enfim, smp @@
O texto está fantástico pa variar :P
E gosto da última frase, mostra, apesar de tudo, o qto és consciente. Isto é, sabe-se que esta foi apenas uma luta, se assim lhe podemos chamar, cuja a vencedora tem nome não teve.
Dizes e muito bem , que não desististe, que foste vencida numa de tantas lutas com as quais te hás-de deparar.
Eu estou auqi para te dar força e apoio smp q necessitares.
AMO-TE @@@@@@@@@@
<3
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