quarta-feira, abril 30, 2008

Caminho de casa


Hoje sentira o quão gostava daquele espaço de tempo que se situa entre a escola e a sua casa. O mesmo caminho que sempre fizera a pé e sozinha, hoje foi visto com outros olhos. Cada pessoa, um mistério, um emaranhar de sentimentos, de culpas, de tempo vivido de mil e uma formas. No fundo desejava ser cada uma delas, tudo menos o que ela mesma é. Tentara sempre ser a menina de que todos esperavam que fosse. Tenta insensatamente ser a mais perfeita possível e o efeito é o contrário. A cada passo que dá, erra. Aquela sensação que lhe rasga o peito, persegue-a.
E todos os erros recônditos algures no fundo do seu mar, surgem á superfície. Mesmo que corra, eles estarão sempre com ela. Nem tudo são coisas menos boas, erros ou farsas. Mas a memória de bons, muito bons momentos fazem com que sofra mais do que os erros e disfarces por quais sempre tivera que passar. Nada lhe dói e rasga mais o peito, do que a lembrança de velhos sorrisos, de como se sentira bem, como acordara ditando pequenas melodias ao vento. Tudo lhe aparenta ser uma estrada única e afunilada sem saída e sempre a direito. Ao caminhar, fugitiva, vai perdendo também as esperanças que tem, que naquele caminho se desatem novas portas para novos sentidos e rumos. Sente-se pequena e frágil, vulnerável a um mundo gigante e frio que lhe congela as mãos. Aquelas que tanto calor já souberam dar a outras. Aquelas que por mero carinho já deram um sorriso. Ela sabe, sabe que não poderá jamais voltar para trás e que, perfeita nunca será.
Hoje : Frágil

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